
COMO ENFRENTAR ESSA
DIFÍCIL, MAS MARAVILHOSA
TAREFA DE
EDUCAR OS FILHOS
Sonia das Graças
Oliveira Silva
[1]COMO ENFRENTAR ESSA
DIFÍCIL, MAS MARAVILHOSA,
TAREFA DE EDUCAR OS FILHOS
OBJETIVOS
Num processo de leituras e
pesquisas pretende-se repensar a educação ao longo da vida e a difícil tarefa
de educar os filhos que, nos dias atuais, torna-se cada vez mais complicada. Estimular
a reflexão sobre o tema, assim como o levantamento de possíveis dúvidas,
bem como, tentativa de elucidá-las da melhor maneira possível é a intenção
deste curso.
Educar
é algo desafiador e complexo e consiste, sobretudo, na possibilidade dos pais
crescerem junto com os filhos, respeitando e acompanhando a trajetória que vai
da dependência quase total do bebê para a crescente autonomia e independência
do filho já adulto.
No
entanto, nós pais, não temos muita experiência. O que temos em relação à arte
de educar é o nosso próprio sentimento, nossas intuições, sensibilidades e a
própria força do vínculo que une pais e filhos.
Na
tentativa de elucidar o mais possível este assunto, que para muitos pais gera
uma enorme insegurança, venho colocar-me à disposição para esclarecer alguma
dúvida, usando bem mais que conhecimentos bibliográficos, mas conhecimentos
práticos da vivência de quem também já passou por etapas difíceis, outras mais
fáceis e prazerosas, mas que no final nos levam, a nós todos, pais e mães, a
esta bagagem gratificante e única que é o contato com os nossos filhos.
1Sonia das Graças Oliveira Silva. Professora, Empresária, Especialista em Educação Infantil
pela FACED, Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora
(UFJF). Especialista em Mídia e Deficiência, pela FACOM, Faculdade de
Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora e Especialista em Arte.
Cultura e Educação, também pela UFJF.
Módulo
1
A
DIFÍCIL TAREFA DE EDUCAR
1.1
O comportamento dos pais e sua influência
1.2
Pequeno histórico sobre educação antigamente
Módulo
2
A
EDUCAÇÃO DENTRO DO LAR
2.1
Analisando a atitude dos pais
Módulo
3
A
CAMINHO DA PRIMEIRA ESCOLA
3.1
Quanto ao perfil profissional do professor de educação infantil
Módulo
4
A
ESCOLA NA FORMAÇÃO DO CIDADÃO
4.1
O papel da escola
Módulo
5
A
RELAÇÃO FAMÍLIA e ESCOLA
5.1
– A importância da família na vida da criança
1
– A DIFÍCIL TAREFA DE EDUCAR
§ A tarefa de educar os filhos é muito
complexa. Até chegar a idade adulta a criança passa por várias fases. A cada
nova etapa no desenvolvimento da criança é um desafio à criatividade, à
paciência e à flexibilidade dos pais. A cada tempo os pais são obrigados a mudar
os padrões de conduta, mudar quanto ao atendimento às necessidades e
solicitações dos filhos.
São
inúmeras as dúvidas e perguntas que passam pela cabeça dos pais quando sentem
que aquele ser pequenino está sob sua total responsabilidade. Sentem-se, de
modo geral, inseguros, desorientados e indefinidos em seu papel de educadores.
A preocupação em fazer sempre o certo, o que é bom para o desenvolvimento
emocional da criança, muitas vezes acaba por atrapalhar e fazer com que os pais
percam o bom senso e a espontaneidade.
As
crianças, desde que nascem, participam de diversas práticas sociais no seu
cotidiano, dentro e fora da escola. Desse modo, adquirem conhecimentos sobre a
vida ao seu redor. A família, os parentes e os amigos, a escola, a igreja, o posto
de saúde, o mercado, a rua entre outros, constituem espaços de construção do
conhecimento social.
Assim
sendo, na escola, a criança encontra a possibilidade de ampliar as experiências
que traz de casa e de outros lugares, estabelece novas formas de relação e de
contato com uma grande diversidade de costumes, hábitos e expressões culturais.
Daí a grande importância de se colocar a criança na escola, não deixá-la fora
dessa oportunidade de continuar aquilo que os pais começaram em casa.
1.1 O
comportamento dos pais e sua influência
Realmente, a criança sofre
influência das pessoas que a cercam. Essa influência acontece de forma natural
e, geralmente, inconsciente. Para as crianças, os adultos são modelos de
comportamento e a forma como agem diante de situações boas, prazerosas ou
situações difíceis, complicadas, é um referencial fundamental para sua
formação. A prova disso é que muitas vezes nós, pais e mães, “nos enxergamos”
nas atitudes de nossos filhos.
O que se torna um grande
problema é quando os pais tentam fazer dos filhos uma continuação de si mesmos,
ou ainda, tentam dar na vida dos filhos uma reviravolta que gostariam de ter
dado em suas próprias vidas.
Aí, os adultos passam a
ser “ditadores” do destino de seus filhos, causando, muitas vezes, discórdia e
sofrimento, pois pensam que podem controlar o presente e o futuro das crianças
e adolescentes.
Os pais, de modo geral,
fazem somente planos bons para os filhos, sonham coisas maravilhosas para a
vida deles. Mas, é importante levar em conta que nem sempre esse sonho é o
melhor para eles.
Muitos exemplos podem ser
considerados, como aqueles pais que querem escolher a carreira profissional que
os filhos devem seguir. Por vezes, essa carreira é a que eles, os pais, por um
motivo ou outro, não conseguiram seguir. Tem-se a impressão que querem ver nos
filhos a si próprios, quando mais jovens, interferindo até mesmo na aparência
física, opinando sobre os cuidados com o corpo dos filhos, o que devem fazer,
revelando nesse modo de agir os ideais de sua própria beleza.
A criança e o adolescente
precisam ter os próprios sonhos, precisam idealizar a própria vida. A
influência desse modo pode acarretar insegurança e medo de não se dar bem em
uma profissão que não foi a escolhida pelos pais e isso pode fazer com que os
filhos acabem escolhendo e se ajustando a sonhos que não eram os seus.
Percebe-se então que,
muitas vezes, semelhanças existentes entre pais e filhos, podem ser fruto da
convivência, do comportamento dos adultos. E aí está um grande desafio nas relações
familiares: aprender a aceitar as diferenças, as opiniões de outras pessoas,
aceitar que os desejos dos filhos podem ser diferentes dos desejos dos pais.
1.2 Pequeno histórico sobre a educação antigamente
Antigamente, as crianças
acompanhavam os adultos em todas as suas atividades, os pais comandavam sua
educação e exerciam ao máximo sua autoridade sobre os filhos, reprimindo quase
todos os seus desejos.
Era comum ver crianças
aprendendo o trabalho dos pais; estudar não era importante (bem o contrário de
hoje, que os pais querem que os filhos estudem para depois pensar em trabalho).
A partir da Idade Média, surgiu a escola que tinha a responsabilidade de
educar. Algumas pessoas se especializaram na tarefa de ensinar e então alguns
locais específicos para isso foram construídos.
No princípio, a escola era
apenas para as elites, ensinava-se a cultura da aristocracia e conteúdos
religiosos. As crianças mais simples recebiam educação em seus próprios lares,
principalmente, educação para o trabalho.
A Revolução Industrial, as
máquinas e o processo de industrialização dificultaram educar para o trabalho
dentro de casa. Devido às exigências do manuseio das novas tecnologias, o
ensino foi entregue as pessoas qualificadas. A família acabou perdendo uma de
suas funções e por meio de várias reivindicações, a escola se estendeu a todas
as camadas sociais.
Na escola acontecia,
então, todo o aprendizado formal, sendo a escrita, leitura, cálculos, etc. e
também o aprendizado social, como transmissão de valores e modelos de
comportamento.
A tecnologia continuou seu
avanço e aos pais, cada vez ficava mais difícil acompanhar as mudanças, desse
modo a escola procurou atualizar-se no sentido de informar e formar novos
cidadãos.
Atualmente, é quase
impossível as crianças aprenderem tudo sem sair de casa. A criança precisa ter
acesso a todo tipo de informação, ela tem que frequentar uma escola, não se
admite, na sociedade de hoje, que haja crianças fora da escola. (ou pelo menos
esforços são feitos para que isso não aconteça).
“Como eu
vou saber da terra, quero
a vida até o fundo,
se eu
nunca me sujar? Quero
ter barro nos pés, eu
Como eu
vou saber das gentes, quero
aprender o mundo!”
sem
aprender a gostar? (Pedro
Bandeira)
Quero
ver com os meus olhos,
................................................... * *
*.............................*** ...........................................
A TV Globo exibiu o programa Globo
Repórter, na sexta feira dia 12/10/2007, dia da criança. Abaixo transcrevo
exatamente o que foi exibido, com o título de: PAIS E FILHOS: UMA RELAÇÃO
DELICADA.
Programa da Rede Globo exibido em
12/10/2007.
Pais
e filhos: uma relação delicada
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.......................................................***.....................................***...................................
Diante do exposto gostaria de
questionar com os leitores o seguinte:
1-
Você
já se sentiu inseguro em alguma ocasião, ao ter que decidir algo importante
sobre a educação dos seus filhos?
2-
Você
considera que a realidade da educação nas famílias hoje é muito diferente de
antigamente?
3-
Por
que será que cada vez mais mãe e pai têm dificuldades de educar os filhos?
4-
Você
considera que os pais devem influenciar os filhos nas decisões quanto ao
futuro, quanto à carreira?
..............................................***...................................***.............................................
Transcrevo abaixo um
artigo de Alessandro Garcia que relata a perplexidade de se ter abundância de
conhecimentos e mesmo assim os pais sentem a dificuldade de se educar um filho
nos dias atuais. Este artigo faz um breve resumo sobre o livro de Vitória
Camps: O que se deve ensinar aos filhos. É
mais uma bibliografia que recomendo para leitura.
A
aventura de educar os filhos
Atualmente, não é a ignorância a principal
responsável pela dúvida sobre de que forma se deve realizar determinada ação ou
proceder em determinado caso. A abundância de conhecimentos é o que produz mais
perplexidade, maiores questionamentos e desorientação sobre um enorme leque de
possibilidades que se abre. Nisto se inclui, com certeza, a paternidade e a
forma de se educar os filhos, uma “arte” que nunca primou pela facilidade, mas
que, nos dias atuais, encontra ainda mais empecilhos frente às técnicas diversas,
e especialistas das mais diferentes correntes a afirmar o que se deve e o que
não se deve ser feito.
O que se deve ensinar aos filhos é o título do livro e a pergunta que a filósofa espanhola
Victoria Camps propõe para tornar ainda mais saudável tal debate, e tentar
enriquecer todo e qualquer meio onde a questão da educação dos filhos se faz
presente.
Desde o começo, vê-se que a autora não pretende dar uma resposta definitiva sobre o tema. Já no prólogo esclarece não ser especialista em psicologia, nem em pedagogia ou qualquer outra disciplina que poderia ser mais apropriada para tratar sobre o tema. Utiliza-se, então, do que conhece: a filosofia e a experiência de ser mãe de três filhos (para ela, a tarefa de educar uma criança possui muito mais segredos e meandros do que os que poderiam ser transcritos em forma de um manual de instruções).
Desde o começo, vê-se que a autora não pretende dar uma resposta definitiva sobre o tema. Já no prólogo esclarece não ser especialista em psicologia, nem em pedagogia ou qualquer outra disciplina que poderia ser mais apropriada para tratar sobre o tema. Utiliza-se, então, do que conhece: a filosofia e a experiência de ser mãe de três filhos (para ela, a tarefa de educar uma criança possui muito mais segredos e meandros do que os que poderiam ser transcritos em forma de um manual de instruções).
É para a vida que um filho é criado. Não há, portanto, regras rígidas e
pré-estabelecidas para se obter êxito na boa educação de uma criança. Da mesma
maneira que fatalmente uma mulher chega a ser mãe sem ter se preparado
fundamentalmente para sê-lo, as receitas também de nada serviriam para tentar
moldar os descendentes de quem se encarrega desta louca e maravilhosa tarefa.
Se não há regras, no entanto, fica a
cargo do instinto (ou, quem sabe, de um certo “talento natural”) a educação de
um filho? Bem, se não há receita, para que serve escrever (e mesmo ler) um
livro cujo título se propõe à elucidação? E, por favor, não se culpe uma
possível tradução oportunista: o título original do livro aparece com a mesma
tentadora frase em resposta às dúvidas de qualquer pai ou mãe (Qué hay que
enseñar a Los Hijos).
Victoria Camps, como boa filósofa que mostra ser, nada mais faz do que contribuir – e de maneira bem significativa – para as questões que invariavelmente se levantam nestas horas. E sua contribuição se dá de uma maneira prática e direta. Se é verdade que a abundância de conhecimentos gera mais perplexidade, a autora não se perde em rodeios ao abordar assuntos que considera de fundamental importância. Por isso, o livro é dividido em dezenove capítulos, nomeados com uma ideia ou conceito, que servem tanto para elaborar perguntas (e suscitar reflexões) quanto para abordar pontos primordiais sobre o que se é considerado virtude e passível de ser ensinado aos filhos.
Victoria Camps, como boa filósofa que mostra ser, nada mais faz do que contribuir – e de maneira bem significativa – para as questões que invariavelmente se levantam nestas horas. E sua contribuição se dá de uma maneira prática e direta. Se é verdade que a abundância de conhecimentos gera mais perplexidade, a autora não se perde em rodeios ao abordar assuntos que considera de fundamental importância. Por isso, o livro é dividido em dezenove capítulos, nomeados com uma ideia ou conceito, que servem tanto para elaborar perguntas (e suscitar reflexões) quanto para abordar pontos primordiais sobre o que se é considerado virtude e passível de ser ensinado aos filhos.
E são ideias e conceitos essenciais –
felicidade, caráter, responsabilidade, autoestima, respeito, gratidão,
liberdade, amabilidade, etc. – que podem ser lidos como se consulta um
dicionário (neste caso, buscando o significado que a autora coloca e que usa,
na maioria das vezes, a partir do senso comum). Ou ainda regando-se ao prazer
de estabelecer diálogo com a autora sobre determinados temas que se vinculam
uns aos outros, como quem conversa com uma "mãe amiga" sobre os
desafios da criação de uma criança. Afinal, é a despretensão que norteia as
páginas do livro: despretensão de dar respostas definitivas, porque
simplesmente não há respostas definitivas.
Começando pela "felicidade", a
autora recorre a Sêneca para afirmar que “a vida feliz é a que está em
conformidade com a natureza das coisas”. Frase que em si já é um ótimo
argumento para reforçar que ser feliz pode ser simplesmente saber aceitar.
Aceitar a própria realidade: a sua e a dos filhos que não devem ser o resultado
das frustrações dos pais ou dos seus desejos pessoais não realizados.
No fim das contas, vê-se nisso uma certa
ingenuidade; a mesma que abriga desejos de conquista da felicidade. Vista como
algo tátil, ou como um objetivo a ser alcançado, ela nada mais é do que o
próprio prazer da realização de tantas pequenas e grandes coisas. Ter em vista,
continuamente, esta verdade, já poderia ser um grande "atalho" para
muitos pais que nada mais querem a não ser felicidade dos filhos.
No entanto, educar uma criança para
felicidade, para, digamos a "não realização" imediata e para a fuga
dos modelos oferecidos pela sociedade é a grande questão. Como levar uma
criança a entender que "felicidade" não está necessariamente na
conquista do mais "belo", no mais "rico" e no mais
"forte"? Cabe aos pais se perguntarem se não são os próprios
fomentadores da disputa da satisfação a qualquer preço.
Conforme vão se apresentando os capítulos, descobre-se o quanto é difícil proporcionar a tão sonhada "boa educação". Se a necessidade de se desvencilhar de regras rígidas esbarra em uma tentativa de “educar na liberdade”, quão irresponsáveis e indisciplinados não poderão ser nossos filhos? E como embutir-lhes o respeito sem produzir, ao mesmo tempo, o medo?
Conforme vão se apresentando os capítulos, descobre-se o quanto é difícil proporcionar a tão sonhada "boa educação". Se a necessidade de se desvencilhar de regras rígidas esbarra em uma tentativa de “educar na liberdade”, quão irresponsáveis e indisciplinados não poderão ser nossos filhos? E como embutir-lhes o respeito sem produzir, ao mesmo tempo, o medo?
São perguntas que se estendem por exatas 118
páginas e que funcionam quase como um terapia de grupo de pais. Pois, longe da
imposição pedagógica, dos “macetes” ou das formas “modernas” de educação, o que
se tem neste livro é um material de leitura fácil e agradável.
Como não poderia deixar de aparecer em um livro desta espécie, são gastas algumas páginas para um pequeno debate acerca da televisão. É um dos poucos momentos em que seu discurso se iguala ao de todos os detratores da TV, com argumentos já vistos e revistos. Considero perda de tempo acusar, igualmente, a publicidade como "manipuladora" e dar eco a teorias antiquadas que vêem os programas televisivos como "monstros devoradores da infância": “As crianças – há estatísticas que o confirmam – passam horas demais vendo televisão, e vendo certos programas que vão da trivialidade ao mau gosto, quando não caem no decididamente desaconselhável.”
Como não poderia deixar de aparecer em um livro desta espécie, são gastas algumas páginas para um pequeno debate acerca da televisão. É um dos poucos momentos em que seu discurso se iguala ao de todos os detratores da TV, com argumentos já vistos e revistos. Considero perda de tempo acusar, igualmente, a publicidade como "manipuladora" e dar eco a teorias antiquadas que vêem os programas televisivos como "monstros devoradores da infância": “As crianças – há estatísticas que o confirmam – passam horas demais vendo televisão, e vendo certos programas que vão da trivialidade ao mau gosto, quando não caem no decididamente desaconselhável.”
São pontos, no entanto, que, de maneira
alguma, ofuscam o valor da obra (e da sua conveniente contribuição em tempos
onde tudo é "fácil", "rápido" e "descartável").
Livros assim servem como um lembrete de como é preciso manter-se atento às
pequenas peculiaridades e aos grandes esforços durante a educação das crianças.
Uma tarefa que não se reduz a pequenas receitas, e para a qual são necessários
permanentes atenção e amor.
O que se deve ensinar aos filhos
- 118 págs. São Paulo: Martins Fontes, 2003
Victoria Camps, natural de Barcelona e catedrática de filosofia moral da Universidad Autônoma de Barcelona. É autora de diversos livros, entre os quais: Virtudes Públicas, prêmio Espasa de Ensayo 1990; Los Valores deLa Educación ; Manual
de Civismo, escrito em colaboração com Salvador Giner; e El Siglo de Las
Mujeres, sua obra mais recente.
Victoria Camps, natural de Barcelona e catedrática de filosofia moral da Universidad Autônoma de Barcelona. É autora de diversos livros, entre os quais: Virtudes Públicas, prêmio Espasa de Ensayo 1990; Los Valores de
Após essa leitura peço que
façam uma resenha crítica (Um texto com suas palavras, baseado nessas leituras
sugeridas, deixando claro sua crítica a respeito das dificuldades em educar
filhos hoje em dia) e me enviem por e-mail (soniajf23@yahoo.com.br), assim como
um texto com as respostas das perguntas feitas na página 14 acima. Então
passaremos para o segundo módulo do curso.
2
– EDUCAÇÃO DENTRO DO LAR
Hoje em dia, as famílias,
independente da classe social a que pertencem se organizam das mais variadas
maneiras. Além da família tradicional que é formada pelo pai, mãe e filhos
aparecem hoje as famílias monoparentais, ou seja, somente a mãe ou somente o
pai está presente.
Outras
famílias foram constituídas por novos casamentos e existem filhos advindos
dessas novas relações. Ainda temos as grandes famílias, comuns na história
brasileira, onde numa mesma casa convivem várias gerações, ou pessoas ligadas
por graus de parentescos diversos. Também é possível encontrar várias famílias
morando juntas, na mesma casa.
Saliento
que é um fato que as crianças têm direito de ser educadas no seio de suas
famílias. Está presente no Estatuto da Criança e do Adolescente que a família é
a primeira instituição social responsável pela efetivação dos direitos básicos
das crianças.
Portanto,
as instituições escolares precisam ter diálogo aberto com as famílias,
considerando-as como parceiras na educação dessas crianças. Nesse sentido, as
instituições de educação infantil e seus profissionais devem desenvolver a
capacidade de ouvir, de observar e aprender também com as famílias.
É
muito importante compreender o que ocorre com as famílias das crianças,
entender seus valores, seus hábitos, como se relacionam com outras pessoas.
Tudo isso poderá ajudar na construção em conjunto de ações em benefício das
próprias crianças.
2.1
Analisando as atitudes dos pais
A
falta de tempo dos pais: alguns
pais não sabem nada sobre seus filhos, vivem ausentes de casa. Não têm tempo
para conversar com os filhos. Os filhos não percebem a casa como um lar, apenas
moram nela.
Pais
que protegem demais: Eles
tentam resolver todos os problemas dos filhos, se apegam excessivamente eles e,
às vezes, consideram que os filhos não conseguirão enfrentar determinadas
situações ajudando mais do que precisariam. Isso torna os filhos dependentes,
precisando de atenção e ajuda constante de outras pessoas.
Pais
autoritários, dominadores, exigentes: Esses
pais ajudam a criar filhos impulsivos e agressivos, desenvolvendo neles uma
personalidade insegura e instável. Desse modo eles terão dificuldades para se
adaptarem aos grupos de amigos, às brincadeiras, dificultando suas amizades.
Pais
que tudo permitem:
Estes pais mimam demais os filhos e admitem seus caprichos. As crianças
tornam-se egoístas e ficam esperando dos outros uma atenção contínua, não
conseguem aceitar frustrações e reagem com impaciência e agressividade.
A
indiferença de alguns pais para com os filhos: Esses pais não dão mostras de carinho
e afeto. As crianças ficam tristes e fogem da convivência com os outros, têm
dificuldades em relacionar-se porque não tiveram a base de afeto necessária
para isso. Agem com os companheiros com a mesma frieza com que são tratados.
Muitas vezes, essa indiferença significa uma rejeição aos filhos e os pais os
tratam com prepotência e insensibilidade. Isso diminui a autoestima das
crianças e resulta, mais tarde, em atitudes antissociais e agressivas.
Está
comprovado que, se as relações familiares, entre pai e mãe, entre pais e filhos
e entre irmãos forem adequadas, os filhos conseguirão adaptar-se mais
facilmente à convivência social fora de casa.
Para os pais
demonstrarem carinho com os filhos não precisam renunciar a exigir coisas
deles. As próprias crianças demonstram que querem que os pais exijam delas,
quando recebem menos atenção sentem-se menos queridas. Com carinho, os pais
devem ter para com os filhos uma exigência compreensiva, ou seja, ser ao mesmo
tempo compreensivos e exigentes. A compreensão sem exigência cria pais
permissivos, e a exigência sem compreensão cria pais autoritários.
.........................................***...........................................***...........................................
Vamos ler um artigo que fala no tema: Falando sobre limites.
FALANDO
SOBRE LIMITES
Por
Sonia das Graças Oliveira Silva
Muitas vezes, impor
limites é uma questão de bom senso. Na relação pais e filhos é vital que se
tenha o diálogo, a compreensão e o amor. Por vezes, a indisciplina, o grito, o
choro, são sinais, são pedidos de ajuda, são pedidos de limites por parte das
crianças. Quando os pais cedem e não percebem, eles praticamente deixam as
crianças sem parâmetros para a vida.
Existem
famílias que dão tanta liberdade para os filhos que mais parece abandono. Não
demonstram preocupação, nem tentam corrigi-los nos erros ou ajudá-los em seus
problemas. Essa autonomia dada pelos pais aos filhos deve ser observada. A
educação da atualidade fez com que pais se tornassem muito modernos e
desaprendessem de dizer não. A liberdade excessiva produz adultos sem noção de
limites e responsabilidades.
As
noções de educação dos filhos passaram por grandes mudanças, desde quando o
pai, senhor absoluto da casa fazia com que os filhos o respeitassem e
obedecessem, não sendo possível por parte dele nenhum gesto de carinho aos
filhos. Os anos 90 trouxeram pais que procuravam encontrar um ponto de
equilíbrio entre aquela autoridade opressiva e a noção de liberdade sem
fronteiras que a sucedeu.
Educar
implica batalhas. E há que se pensar em para que e como se educar. É preciso
ter clareza quando for dizer não. Os pais não podem abrir mão de sua autoridade
de pais ao educar e nem devem ter medo ao enfrentar o filho em seus momentos de
raiva.
A
educação com baixos limites tem causado resultados desastrosos. Segundo o
Psicólogo Armando Correa de Siqueira Neto, alguns pontos-chave são destacados
no processo de educação como, o sacrifício. A tarefa da educação requer
sacrifícios como o da paciência, perseverança e firmeza. No dia-a-dia é que se
constrói a educação, portanto, a sua manutenção persistente é fundamental. A
constância permite um resultado bem melhor.
Consciência
e vontade na educação dos filhos são fundamentais. Atitudes como deixar que os
filhos decidam sozinhos sobre suas vidas e seus afazeres é fugir das
responsabilidades de pais e de educadores e não é educar. Educação envolve
erros e acertos. Tão errado como abandonar os filhos é achar que eles devem
seguir à risca tudo que foi idealizado pelos pais. Não existe uma receita
infalível que transforma filhos em adultos felizes e bem sucedidos.
Educar
envolve a consciência. Os pais precisam se questionar se estão educando para a
autoconfiança e autoestima dos filhos. Precisam ter clareza mental, ter
equilíbrio, o que levará a harmonia, serenidade, flexibilidade e
espontaneidade.
.............................................***.....................................***.............................................
É necessário haver um debate onde
questionaremos alguns fatos:
Qual é a realidade de nossas crianças
hoje em dia? Como andam as famílias?
Como anda seu tempo para seu filho?
Você é um pai ou mãe que tudo permite?
Ou você impõe limites a seu filho?
Você agrada seus filhos com muitos
presentes, como que justificando sua ausência em casa ao lado deles?
Você acredita que o mais importante
não é a quantidade de tempo no lar, mas a qualidade do tempo ao lado dos
filhos?
Responda a algumas dessas questões e
passaremos para o módulo seguinte.
3
– A CAMINHO DA PRIMEIRA ESCOLA
O ser humano está o tempo
todo aprendendo. Nesse sentido é papel fundamental da família decidir, desde
cedo, o quê sua criança precisa aprender e qual escola deverá frequentar.
O
ingresso na escola é um evento muito importante na vida de uma criança, pois é
o primeiro passo rumo à independência em relação aos pais. Trata-se da
preparação de um espaço próprio, que marcará sua trajetória para o futuro.
Para
os pais também se trata de um tempo decisivo, principalmente se é o primeiro
filho. É um momento de separação, tem-se a impressão de que aquele bebê cresceu
e está se tornando menos dependente, e nós pais, não gostamos disso, pois
queremos nossos “filhotes” sempre ao nosso redor.
Quando este novo espaço
surge, vários sentimentos se entrelaçam em função da “separação” que acontece
com a ida da criança para a instituição de educação infantil. Estes sentimentos
evidenciam o desejo que a mãe tem de que a criança se adapte na escola ou não.
Quando se menciona a questão de não querer que o filho fique na escola, não é
um pensamento premeditado e sim um sentimento que foge ao controle dos pais.
Segundo
Joana Maria Rodrigues Di Santo,
Pedagoga, Psicopedagoga, Mestre em Educação, diretora do CRE e Consultora em Educação,
alguns pais sentem-se culpados por colocarem os filhos muito cedo na escola. No
entanto, nos dias de hoje, em que as famílias são cada vez menores o que
dificulta as relações das crianças com outras da mesma idade, o fato de muitas
delas ingressarem na escola nos primeiros anos de vida pode representar um
ganho, favorecendo o desenvolvimento infantil.
Alguns
cuidados são importantes para o ingresso da criança na primeira escolinha, pois
é um ambiente novo, muitas pessoas estranhas, com outras regras diferentes a
seguir.
É necessário preparar a
criança para sua entrada na escola. Levá-la para conhecer as instalações,
mostrando tudo com entusiasmo, pode ser o primeiro passo.
Quanto
mais nervosos os pais parecerem, mais apavorada ficará a criança. Ela poderá
entender que, se sua mãe está tão ansiosa, parecendo triste ao despedir-se dela
é porque não deve ser muito bom ficar neste colégio. Daí para começar o choro é
rapidinho. E, não raras as vezes, que choram as duas, a mãe e a criança.
Por
isso, é tão importante os pais ficarem calmos e naturais, transmitindo, assim,
essa calma e naturalidade para sua criança. A escola deve ser um lugar de
prazer para seu filho e um ingresso tranquilo na vida escolar ajudará a criança
a se relacionar com o novo ambiente e a enfrentar alguma dificuldade que
porventura surgir.
Depende muito da
habilidade e eficiência dos pais escolherem a escola adequada às expectativas
da família, e, é claro, que vá agradar a pessoa mais interessada: a criança. Os
pais deverão estar atentos às diversas propostas oferecidas na cidade. E são
tantas! São muitas propagandas recebidas em casa ou veiculadas pelos meios de
comunicação. Cada uma apregoando mais e mais maravilhas que sua criança irá
vivenciar se estudar naquela escola!
Cuidar de uma criança em um
contexto educativo demanda a integração de vários campos de conhecimentos e a
cooperação de profissionais de diferentes áreas.
São muitos os aspectos a
considerar, assim vejamos:
- Você entende a escola de educação
infantil como um lugar para passar o tempo da criança? Um lugar onde deixá-la
por algumas horas?
- Ou você acha que é bom que seu filho
vá para a escola para conviver com outras crianças de sua idade e não importa
qual é a proposta pedagógica da escola?
- Você se preocupa em saber quais os princípios
de ensino-aprendizagem seguidos pela escola? Você sabe quais são os valores
humanos e sociais que essa escola preconiza?
Alguns valores
considerados importantes pela escola devem ser analisados pelos pais. Por
exemplo: se a escola considera importante a participação dos pais e da
comunidade na vida escolar.
Essa
escola respeita as diferenças individuais e culturais de cada um?
Os
professores trabalham em conjunto? Eles acreditam na capacidade e no desejo de
aprender das crianças? A escola está empenhada na formação de seres humanos
melhores e está ensinando valores compatíveis com essa formação?
A
escola entende que é necessário à criança brincar muito, visto que isso ajuda
em seu desenvolvimento? Valoriza o tempo de brincadeiras, incentivando-as e
ensinando a criança a brincar?
Essa escola respeita a
idade da criança de 4 ou 5 anos, não a obrigando a se alfabetizar se não for de
sua vontade? Isso poderá acontecer automaticamente desde que a criança
participe por sua livre vontade de atividades voltadas para a alfabetização.
Na
visita à escola deve-se observar tudo, perguntar tudo que tiver vontade, não
levar dúvidas para casa, pois você entrará em pânico se houver dúvida. Perceber
a forma de atendimento, observar algumas atividades, ver se há facilidade para
estacionamento, observar como é a entrada e a saída de crianças, se existem
porteiros ou pessoas responsáveis pela entrada e saída das crianças.
Outro ponto a ressaltar é
quanto ao espaço físico. É primordial ter um espaço bom, tanto interno quanto
externo, ao ar livre, de preferência, com áreas verdes.
É preciso haver muita
limpeza, ordem, organização dos espaços.
Os objetos escolares
precisam ser do tamanho adequado às crianças.
Play-grounds modernos, com
brinquedos próprios para evitar que as crianças se machuquem.
No caso de escadas, verificar
se há o uso de material antiderrapante.
Cozinha em perfeitas
condições de higiene, com funcionários preparados para este serviço.
Verificar tudo em relação
à segurança da criança.
Havendo tanque de areia,
verificar se é coberto para não haver contaminação com fezes de animais e a
troca e lavagem da areia periodicamente.
Enfim,
são muitos pontos, que podem fazer com você seja até considerado “chato” por
algumas pessoas da escola, mas se isso acontecer será um bom motivo para você
perceber que essa escola não será boa para seu filho. Você deve estar sim,
preocupado com o lugar onde seu filho passará grande parte do dia.
Desse
modo, as instituições de ensino infantil precisam favorecer um ambiente físico
e social onde as crianças se sintam protegidas e acolhidas, e ao mesmo tempo
seguras para se arriscar e vencer desafios. Quanto mais rico e desafiador for
esse ambiente, mais ele lhes possibilitará a ampliação de conhecimentos acerca
de si mesmos, dos outros e do meio em que vivem.
Aos pais, resta perceber se a escola, preocupada em fazer
com que os alunos desenvolvam capacidades, ajusta sua maneira de ensinar e
seleciona os conteúdos de modo a auxiliá-los a se adequarem às várias vivências
a que são expostos em seu universo cultural; se ela considera as capacidades
que os alunos já têm e as potencializa; se, preocupa-se com aqueles alunos que
encontram dificuldade no desenvolvimento das capacidades básicas.
Embora os indivíduos tenham a tendência, em função de sua
natureza, a desenvolver capacidades de maneira heterogênea, é importante
salientar que a escola tem como função potencializar o desenvolvimento de todas
as capacidades, de modo a tornar o ensino mais humano, mais ético.
3.1
Quanto ao perfil profissional do professor de educação infantil
O
professor (dirijo-me de forma genérica, pensando em professor ou professora) que
trabalha direto com crianças precisa ter uma competência polivalente. Isso
significa dizer que deverá trabalhar com conteúdos de naturezas diversas, que
abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos
provenientes das diversas áreas do conhecimento.
Torna-se
necessário, então, uma formação bastante ampla do profissional, que deverá
refletir constantemente sua prática, aperfeiçoar-se sempre. É importante
também, que haja um debate com colegas, diálogo com as famílias e a comunidade,
sempre na busca de informações novas para o trabalho que desenvolve.
Segundo
a educadora Guiomar Namo de Mello, em entrevista para a revista Nova Escola
(2004), em resposta à pergunta: Como deveria ser o currículo para formar
professores competentes?
A
educadora responde que “ninguém ensina o que não aprendeu”. Por isso o curso de
formação precisa dar peso grande ao conteúdo que vai ser ensinado.
Abaixo transcrevo um poema que
considerei uma ótima definição do professor que trabalha com carinho e arte.
[...]
Arte
está em toda parte
Arte
está em toda parte
Está
na educação
Pedagogia
é uma arte
A
arte de conduzir
Abrir
novos horizontes
E
acreditar no porvir
Professor,
Arte
é a reflexão
De
sua prática educativa
Arte
é ser mediador
Arte
é ser pesquisador
É
ser facilitador
Arte
é tudo que incentiva
Professor,
Na
arte de ensinar
A
ação que mais fascina
É
sua arte de moldar
O
que já é obra prima.
Obra
prima sem minuta
Exige
arte e desvelo
Depende
da sua conduta
De
estima ou de zelo.
Arte,
professor, é...
Ao
entrar em sua sala
Perceber
cada educando
Cada
um com sua fala
Outros
até se calando
É
como a arte de ler o vento
Que
diz como está o tempo
Professor,
esse é o momento
Da
arte de se ler
Ler
seus educandos
Que
são artistas esperando
Fazer
arte para aprender
Arte
está em toda parte
Está
na vida!
Vida.
Obra
de arte divina
Tudo
que se descortina
É
a arte de viver bem
Como?
Arte? Onde se vê?
Quem
é o artista?
O
artista desta arte
Encontra-se
em toda a parte
Um
deles... pode ser você!
*(Maria
Terezinha Alves Castilho) - Supervisora de educação infantil da Escola
Municipal Padre Germano Mayer - Arapongas/
PARA REFLETIR: Um pequeno poema que
diz muita coisa:
Professora
“Ela entrou na sala e viu rostos que
perscrutavam, indagavam, esperavam. Começou a dizer-lhes de suas férias, mas
descobriu que esta palavra ali era oca e distante. Abriu então seu caderno de
planos e quis ensinar-lhes as maravilhas que ali escrevera, mas aprendeu que
menino triste não tem gosto para manejar o lápis. Quis ensinar uma canção, mas
o canto se tornou um choro. Tentou contar-lhes de bruxas, de fadas, de
gigantes, mas percebeu que não crêem em fantasias os meninos que vivem da
verdade de cada dia.
Por um instante a professora não
encontrou o que fazer. Então, apenas sorriu para a classe e decidiu dar-lhes
primeiro a sua amizade.
Depois, mansamente, lhes daria
ensinamentos.
Bem-aventurada!”
(Maria
Célia Bueno) do livro: A educação pré-escolar, Marieta Lúcia Machado Nicolau.
Analisando esse 3º módulo podemos
considerar a seguinte questão:
Quais as principais causas do ingresso
de crianças bem pequenas nas instituições de ensino?
4
– A ESCOLA NA FORMAÇÃO DO CIDADÃO
“O papel fundamental da educação no desenvolvimento das
pessoas e das sociedades amplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e
aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de
cidadãos” (PCNs, 1998).
Na escola, durante processos de socialização, a criança
tem a oportunidade de desenvolver a sua identidade e autonomia. Interagindo com
os amiguinhos se dá a ampliação de laços afetivos que as crianças podem estabelecer
com as outras crianças e com os adultos. Isso poderá contribuir para o
reconhecimento do outro e para a constatação das diferenças entre as pessoas;
diferenças essas, que podem ser aproveitadas para o enriquecimento de si
próprias.
As
instituições de educação infantil se constituem em espaços de socialização,
propiciam o contato e o confronto com adultos e crianças de várias origens
socioculturais, de diferentes religiões, etnias, costumes, hábitos e valores,
fazendo dessa diversidade um campo privilegiado da experiência educativa.
Desse modo, na escola, criam-se condições para as
crianças conhecerem, descobrirem e ressignificarem novos sentimentos, valores,
ideias, costumes e papéis sociais.
A escola deve dar total atenção à criança como pessoa,
que está num contínuo processo de crescimento e desenvolvimento, compreendendo
sua singularidade, identificando e respondendo às suas necessidades.
A atenção recebida na escola reflete na criança fazendo
com que tome consciência do mundo de diferentes maneiras em cada etapa de seu
desenvolvimento. As transformações que ocorrem em seu pensamento se dão
simultaneamente ao desenvolvimento da linguagem e de suas capacidades de
expressão.
A
criança bem atendida, considerada um cidadão, enquanto cresce se depara com
fenômenos, fatos e objetos do mundo; pergunta, reúne informações, organiza
explicações e arrisca respostas. Desse modo, ocorrem mudanças fundamentais no
seu modo de conceber a vida, a natureza e a cultura.
Além de promover a educação da criança, mostrando o
correto, muitas vezes a escola terá que propiciar situações para que os pais
reflitam sobre seus papéis e atribuições, tendo em vista que seus filhos
permanecem mais tempo com os profissionais da escola do que com eles mesmos.
A criança é movida pelo interesse e curiosidade, e,
motivada pelas respostas dadas pelo profissional da escola, através de
informações vindas dos livros, notícias, reportagens, televisão, rádio, etc.
ela ficará segura, sentindo-se protegida naquele espaço onde é cidadã.
A
infância é um período de desenvolvimento cultural do ser humano, cuja
importância vai ficando cada vez mais clara e precisa à medida que avançam os
conhecimentos sobre o desenvolvimento do cérebro.
As
descobertas nesta área já são tão importantes que chegam a afetar a natureza
de currículos da Educação Infantil em alguns países. É o caso, por exemplo, da
França, que introduziu um currículo para a infância apoiado em pilares
diferenciados dos que nortearam a educação da infância durante a maior parte
do século XX[2].
Neste
novo currículo, as práticas culturais da infância ganham relevo e o tempo é
distribuído de forma que atividades que envolvam música e movimento sejam
equiparadas em importância às atividades mais especificamente voltadas à
apropriação da leitura e da escrita. Busca-se, assim, uma escolarização que
vise à formação da criança enquanto ser de cultura em desenvolvimento.
4.1
O papel da escola
Se acreditarmos que o principal papel da escola é o
desenvolvimento integral da criança, devemos considerá-la em suas várias
dimensões: afetiva, ou seja, nas relações com o meio, com as outras crianças e
adultos com quem convive; cognitiva, construindo conhecimentos por meio de
trocas com parceiros mais e menos experientes e do contato com o conhecimento historicamente
construído pela humanidade; social, frequentando não só a escola como também
outros espaços de interação como praças, clubes, festas populares, espaços religiosos,
cinemas e outras instituições culturais; e finalmente na dimensão psicológica,
atendendo suas necessidades básicas como higiene, alimentação, moradia, sono,
além de espaço para fala e escuta, carinho, atenção, respeito aos seus direitos
(MEC, 2005).
Podemos então observar que os Parâmetros Curriculares
Nacionais elaborados pela Secretaria de Educação Fundamental do Ministério da
Educação (MEC), em 1998, ressaltam tudo isso do seguinte modo: são objetivos do
ensino fundamental que os alunos sejam capazes de:
• compreender a cidadania como participação
social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis
e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e
repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito;
• posicionar-se de
maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais,
utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões
coletivas;
• conhecer características fundamentais do
Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir
progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de
pertinência ao país;
• conhecer e valorizar a pluralidade do
patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros
povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em
diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais;
• perceber-se integrante, dependente e agente
transformador do ambiente,
identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente;
• desenvolver o conhecimento ajustado de si
mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física,
cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para
agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania;
• conhecer o próprio corpo e dele cuidar,
valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da
qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à
saúde coletiva;
• utilizar as diferentes linguagens – verbal,
musical, matemática, gráfica, plástica e corporal – como meio para produzir,
expressar e comunicar suas ideias, interpretar e usufruir das produções
culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e
situações de comunicação;
• saber utilizar diferentes fontes de
informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir
conhecimentos;
• questionar a realidade formulando-se
problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico,
a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando
procedimentos e verificando sua adequação.
O que
temos ainda hoje é um caminho a ser percorrido. Um caminho de cooperação que só
será efetivo se os pais compreenderem que à escola não cabe exercer a função
moral da família. E, se a escola promovesse ações de conscientização junto a
essas famílias para que ficasse clara a importância do dever de cada um no
desenvolvimento do aluno/filho, e que, embora essa parceria escola e família
seja essencial, cada um desses setores deve conservar suas particularidades (DI
SANTO, 2007).
Você
acha que a escola está se preocupando em formar cidadãos? Escreva algo sobre
isso.
5
– A RELAÇÃO FAMÍLIA e ESCOLA
A
qualidade da Educação Infantil depende, cada vez mais, da parceria entre a
escola e a família. Abrir canais de comunicação, respeitar e acolher os saberes
dos pais e ajudar-se mutuamente. Eis algumas ações em que as únicas
beneficiadas são as nossas crianças pequenas (CARRARO, 2006, p. 31)[3].
Em casa a criança
experimenta o primeiro contato social de sua vida, convivendo com sua família e
os entes queridos. As pessoas que cuidam das crianças, em suas casas,
naturalmente possuem laços afetivos e obrigações específicas, bem como diversas
das obrigações dos educadores nas escolas. Porém, esses dois aspectos se
complementam na formação do caráter e na educação de nossas crianças.
A
participação dos pais na educação dos filhos deve ser constante e consciente. A
vida familiar e escolar se completa.
Torna-se necessária a parceria de todos para o bem estar
do educando. Cuidar e educar envolve
estudo, dedicação, cooperação, cumplicidade e, principalmente, amor de todos os
responsáveis pelo processo, que é dinâmico e está sempre em evolução.
Os pais e educadores não podem perder de vista que,
apesar das transformações pelas quais passa a família, esta continua sendo a primeira
fonte de influência no comportamento, nas emoções e na ética da criança.
É
fato que família e escola representam pontos de apoio e sustentação ao ser
humano e marcam a sua existência. A parceria família e escola precisa ser cada
vez maior, pois quanto melhor for a parceria entre ambas, mais positivos serão
os resultados na formação do sujeito.
A parceria com a família e os demais profissionais que se
relacionam de forma direta ou indireta com a criança é que vai ser o
diferencial na formação desse educando. A vida nessa instituição deve funcionar
com base na tríade pais – educadores – crianças, como destaca Bonomi (1998). O
bom relacionamento entre esses três personagens (dois dos quais são
protagonistas na escola – educadores e crianças) é fundamental durante o
processo de inserção da criança na vida escolar, além de representar a ação
conjunta rumo à consolidação de uma pedagogia voltada para a infância.
A
Professora Di Santo lembra que a fundamentação para a relação
educação/escola/família como um dever da última para com o processo de
escolarização e importância de sua presença no contexto escolar é publicamente
amparada pela legislação nacional e diretrizes do MEC, aprovadas no decorrer
dos anos 90, tais como: Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), nos
artigos 4º e 55; Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), artigos
1º, 2º, 6º e 12; Plano Nacional de Educação (aprovado pela Lei nº 10172/2007),
que define como uma de suas diretrizes a implantação de conselhos escolares e outras
formas de participação da comunidade escolar (composta também pela família) e
local na melhoria do funcionamento das instituições de educação e no
enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos e,
ainda, a Política Nacional de Educação Especial, que tem como uma de suas
diretrizes gerais: adotar mecanismos que oportunizem a participação efetiva da
família no desenvolvimento global do aluno.
.......................................................***.........................................***.............................
Abaixo transcrevo um artigo já
publicado exatamente neste tema: Relação família/escola.
A
RELAÇÃO FAMÍLIA/ESCOLA
Por Sonia das Graças Oliveira Silva
Hoje
em dia há a necessidade de a escola estar em perfeita sintonia com a família. A
escola é uma instituição que complementa a família e juntas tornam-se lugares
agradáveis para a convivência de nossos filhos e alunos. A escola não deveria
viver sem a família e nem a família deveria viver sem a escola. Uma depende da
outra na tentativa de alcançar o maior objetivo, qual seja, o melhor futuro
para o filho e educando e, automaticamente, para toda a sociedade.
Um
ponto que faz a maior diferença nos resultados da educação nas escolas é a
proximidade dos pais no esforço diário dos professores. Infelizmente, são
poucas as escolas que podem se orgulhar de ter uma aproximação maior com os
pais, ou de realizarem algumas ações neste sentido. Entretanto, estas ações
concretas, visando atrair os pais para a escola, podem ser uma ótima saída para
formar melhor os alunos dentro dos padrões de estudos esperados e no sentido da
cidadania.
Atualmente,
os pais devem estar cada vez mais atentos aos filhos, ao que eles falam, o que
eles fazem, as suas atitudes e comportamentos. E, apesar de ser difícil, a
escola também precisa estar atenta. Eles se comunicam conosco de várias formas:
através de sua ausência, de sua rebeldia, seu afastamento, recolhimento, choro,
silêncio. Outras vezes, grito, zanga por pouca coisa, fugas, notas baixas na
escola, mudanças na maneira de se vestir, nos gestos e atitudes. Os pais devem
perceber os filhos. Muitas vezes, através do comportamento, estão querendo
dizer alguma coisa aos pais. E estes, na correria do dia-a-dia, nem prestam
atenção àqueles pequenos detalhes.
Por
vezes, os jovens estão tentando pedir ajuda e, mesmo achando que o filho
ultimamente está “meio estranho”, muitos pais consideram isso como normal,
“coisa de adolescente”, vai passar, é só uma fase. Há que se observar estes
sinais. Podem dizer muito de problemas que precisam ser solucionados, como
inadequação, dificuldades nas disciplinas, com os colegas, com os professores,
e outras causas.
Aí
entra a parceria família/escola. Uma conversa franca dos professores com os pais,
em reuniões simples, organizadas, onde é permitido aos pais falarem e opinarem
sobre todos os assuntos, será de grande valia na tentativa de entender melhor
os filhos/alunos. A construção desta parceria deveria partir dos professores,
visando, com a proximidade dos pais na escola, que a família esteja cada vez
mais preparada para ajudar seus filhos. Muitas famílias sentem-se impotentes ao
receberem, em suas mãos os problemas de seus filhos que lhe são passados pelos
professores, não estão prontas para isso.
É
necessária uma conscientização muito grande para que todos se sintam envolvidos
neste processo de constantemente educar os filhos. É a sociedade inteira a
responsável pela educação destes jovens, desta nova geração.
As
crianças e jovens precisam sentir que pertencem a uma família. Sabe-se que a
família é a base para qualquer ser, não se refere aqui somente família de
sangue, mas também famílias construídas através de laços de afeto. Família, no
sentido mais amplo, é um conjunto de pessoas que se unem pelo desejo de estarem
juntas, de construírem algo e de se complementarem. É através dessas relações
que as pessoas podem se tornar mais humanas, aprendendo a viver o jogo da
afetividade de modo mais adequado.
Percebe-se
que muito tem sido transferido da família para a escola, funções que eram das
famílias: educação sexual, definição política, formação religiosa, entre
outros. Com isso a escola vai abandonando seu foco, e a família perde a função.
Além disso, a escola não deve ser só um
lugar de aprendizagem, mas também um campo de ação no qual haverá continuidade
da vida afetiva. A escola que funciona como quintal da casa poderá desempenhar
o papel de parceira na formação de um indivíduo inteiro e sadio. É na escola
que deve se conscientizar a respeito dos problemas do planeta: destruição do
meio ambiente, desvalorização de grupos menos favorecidos economicamente, etc.
Na
escola deve-se falar sobre amizade, sobre a importância do grupo social, sobre
questões afetivas e respeito ao próximo.
Reforço aqui a necessidade de se
estudar a relação família/escola, onde o educador se esmera em considerar o
educando, não perdendo de vista a globalidade da pessoa, percebendo que, o
jovem, quando ingressa no sistema escolar, não deixa de ser filho, irmão,
amigo, etc.
A
necessidade de se construir uma relação entre escola e família, deve ser para
planejar, estabelecer compromissos e acordos mínimos para que o educando/filho
tenha uma educação com qualidade tanto em casa quanto na escola.
5.1
– A importância da família na vida da criança
O primeiro grupo de
pessoas com quem a criança, ao nascer, tem contato é a família. É interessante
que logo a criança já demonstra suas preferências, seus gostos e suas
diferenças individuais. Também a família tem seus hábitos, suas regras, enfim,
seu modo de viver. É desse modo que a criança começará a aprender a agir, a se
comportar, a demonstrar seus interesses e tentará se comunicar com esta
família.
Está aí, neste círculo de
pessoas que rodeiam a criança, a fonte original da identidade da criança.
Desde cedo, os pais
precisam transmitir à criança os seus valores, como, ética, cidadania,
solidariedade, respeito ao próximo, autoestima, respeito ao meio ambiente,
enfim, pensamentos que leve essa criança a ser um adulto flexível, que saiba
resolver problemas, que esteja aberto ao diálogo, às mudanças, às novas
tecnologias.
A criança já aprende desde
pequena o que a mãe não gosta, o que é perigoso, o que pode e o que não pode
fazer. Percebe-se, então, a importância da orientação dos pais.
À família cabe entender
que a criança precisa de liberdade, mas por si só não tem condições de avaliar
o que é melhor ou pior para ela mesma. A família é o suporte que toda criança
precisa e, infelizmente, nem todas têm. É o sustentáculo que vai ajudar a
criança a desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de
confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de
inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca
de conhecimento e no exercício da cidadania;
Aqui
faço uma sugestão de leitura e peço que elabore um pequeno resumo do que você
entende sobre a importância da família na vida da criança.
Livro: OS FILHOS VÊM DO CÉU
Sub Titulo: Técnicas positivas de educar os filhos... Autor: John Gray, PH. D. Tradução:Ione Maria de Souza |
O célebre escritor sabe o quão difícil e incerta é a tarefa de educar um filho – ele tem uma filha e duas enteadas – e acredita que os pais nunca cometem erros por falta de amor, mas por não conhecer uma maneira melhor de educar. Ao partir do princípio de que os jovens de hoje são muito mais sofisticados e conscientes, Gray conclui que eles têm necessidades diferentes dos de antigamente. Portanto, se os pais quiserem que eles sejam aptos a competir no mundo atual, precisam prepará-los com os métodos mais modernos e adequados.
As técnicas apresentadas no livro
servem para filhos de qualquer idade e têm efeito imediato em seu
comportamento.
Gray sugere um método não punitivo de
educação. Segundo ele, as crianças podem ser voluntariosas, desde que
cooperadoras. Sua vontade deve ser incentivada, em vez de anulada, o que é
fundamental para desenvolver a confiança, a sensibilidade e a cooperação. Se
no passado tentava-se criar filhos submissos, hoje é preciso torná-los
líderes confiantes. Para que isso aconteça, eles não devem ser controlados
pelo medo de apanhar.
Segundo o autor, a violência não só
gera sujeitos sem iniciativa como também cruéis. Uma pessoa só respeita as
outras quando é respeitada. Por isso, o pai e a mãe devem pedir, em vez de
exigir; buscar a cooperação, não a obediência; recompensar, não punir. Alguém
questiona que um chefe obtém melhores resultados quando não abusa da
autoridade e incentiva seus subordinados?
Seguindo esta lógica, Gray defende que
não há necessidade de destacar os erros cometidos pelos filhos, mas de
enfatizar e recompensar o que eles fazem corretamente. E a forma mais
saudável de fazer isso é oferecendo a eles mais tempo com os pais. É o que
acontece quando a mãe diz, por exemplo: “Se você se vestir logo, teremos
tempo de tomar um sorvete depois” Assim, a criança se sente motivada a fazer
o que deve ser feito. Não vale a pena obter dela um excelente comportamento
se for à custa de sua autoestima, com palmadas, ameaças e sanções.
O que torna uma criança mimada não é
dar-lhe mais, é dar-lhe mais para evitar confrontos. E há uma grande
diferença entre um pirralho lamuriento e um pequeno brilhante negociador.
Para aquelas situações em que nada
parece funcionar, quando o filho não faz o que os pais querem de jeito algum,
Gray admite o uso de um último recurso: a suspensão. Trata-se de deixá-lo
sozinho, privado das coisas de que mais gosta. O autor recomenda um minuto de
suspensão para cada ano de vida do rebento – se seu filho tem 7 anos, deixe-o
isolado por sete minutos nesses momentos críticos. Parece pouco, mas Gray
assegura ser o suficiente, desde que a suspensão nunca seja usada com ameaça
prévia e não seja entendida como um castigo.
O
método pretende que pais e filhos tenham sempre em mente cinco mensagens: 1)
É bom ser diferente; 2) É bom cometer erros; 3) É bom expressar emoções negativas;
4) É bom querer mais e 5) É bom dizer não, mas lembrem-se de que mamãe e
papai é que mandam. E que não se pense que Gray é excessivamente benevolente.
Ele diz coisas como “Deus fez as crianças pequeninas para que os pais possam
levantá-las e mudá-las de lugar” e “Às vezes, a criança precisa apenas chorar
bastante para se sentir melhor”.
Quando John Gray chamou seu livro de Os
filhos vêm do céu, ele quis dizer que todos nascem bons. Sua teoria é de
que não existe criança má, apenas criança fora do controle dos pais. E aqui
ele explica como os filhos devem ser educados, levando-se em conta fatores
como temperamento, ritmo de aprendizagem e tipo de inteligência.
Ao longo da obra, diversas questões vêm
à tona. Como tornar as tarefas divertidas? Como lidar em público com uma
criança exigente? Como dar ordens a um adolescente? Quais as peculiaridades
de filhos de pais divorciados? O que fazer quando o filho usa drogas? Como
lidar com a linguagem desrespeitosa? Tudo é respondido com grande
conhecimento de causa.
E como estamos falando do autor de Homens
são de Marte, mulheres são de Vênus, é claro que as diferenças
entre meninos e meninas têm especial destaque.
|
...........................................***...............................................***...................................
Abaixo faço uma enquete para meus
leitores amigos:
1 – Qual o real papel de pais e
educadores na educação de hoje?
2 – Como pais e educadores podem
contribuir para formação do ser integral?
3 – A educação do século XXI requer
novas habilidades e os pais e educadores estão preparados para este desafio?
4 – Qual a importância da educação
familiar?
5 – Quais responsabilidades a
família e a escola possuem no desenvolvimento do indivíduo?
6 – Você, professor, já se encontrou
em alguma situação difícil em relação à família de seu(a) aluno(a)?
7 – Você tem percebido diálogo entre
família e escola?
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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Summus, 1985.
ARIÈS,
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família. 2ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
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MEC – Coordenação de Educação Infantil – DPEIEF/SEB – Revista CRIANÇA – do professor de educação infantil. Brasília, DF,
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Curriculares Nacionais. Brasília, MEC/SEF, 1997.
BONOMI,
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da Educação Infantil de 0 a
3 anos. POA: ArtMed,
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OLIVEIRA
SILVA, Sonia das Graças. Os pais, como
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Criança e Infância. Disponível em:
Artigonal. http://www.artigonal.com/ciencia-artigos/crianca-e-infancia-477598.html
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Falando sobre limites. Disponível em:
http://www.artigos.com/artigos-academicos/1423-falando-sobre-limites
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A Relação Família/Escola. Artigonal. Disponível
em: http://www.artigonal.com/ciencia-artigos/a-relacao-familiaescola-477589.html
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Estresse Infantil: Disponível em: http://www.artigonal.com/ciencia-artigos/estresse-infantil-477595.html
_____. Educação dos
Filhos: Tarefa
difícil: Disponível em: http://www.artigonal.com/educacao-artigos/educacao-dos-filhos-tarefa-dificil-382497.html
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Os pais e a escolha da escola para seus
filhos. Disponível em: http://www.artigonal.com/educacao-artigos
_____.Educação no lar. Disponível em: http://www.artigos.com/artigos-academicos/pedagogia/1183-educacao-no-lar
_____.
Os pais – Como ter um remoto controle
sobre a TV. Disponível em: http://www.artigos.com/artigos-academicos/1933-os-pais-como-ter-um-remoto-controle-sobre-a-tv
STENSON,
James B. Filhos: Quando educá-los?
Ed. Quadrante.
TIBA,
Içami. Quem ama, educa! Editora
Gente, 2002.
[1] Sonia das Graças Oliveira Silva. Professora, Empresária, Especialista em Educação Infantil
pela FACED, Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora
(UFJF). Especialista em Mídia e Deficiência, pela FACOM, Faculdade de
Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora e Especialista em Arte.
Cultura e Educação, também pela UFJF.
§
É importante ressaltar que sempre falarei em pais, simbolizando o pai e a mãe e
sempre falarei em filhos, simbolizando filhos e filhas.
[2] Revista CRIANÇA, publicação do
MEC/SEB, nº 42, 2006.
[3] CARRARO, Renata. Reportagem Revista
Criança – MEC/SEB, 2006.