quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O INGRESSO NA PRIMEIRA ESCOLA

Por: Sonia das Graças Oliveira Silva

Estamos novamente no final do ano. Muitas famílias estão preocupadas porque tem em casa uma criança pequena e pretender colocá-la em uma escolinha infantil, já no início do novo ano.
O ser humano está o tempo todo aprendendo. Nesse sentido é papel fundamental da família decidir, desde cedo, o quê sua criança precisa aprender e qual escola deverá frequentar.
            O ingresso na escola é um evento muito importante na vida de uma criança, pois é o primeiro passo rumo à independência em relação aos pais. Trata-se da preparação de um espaço próprio, que marcará sua trajetória para o futuro.
            Para os pais também se trata de um tempo decisivo, principalmente, se é o primeiro filho. É um momento de separação, tem-se a impressão de que aquele bebê cresceu e está se tornando menos dependente, e nós pais, não gostamos disso, pois queremos nossos “filhotes” sempre ao nosso redor.
Quando este novo espaço surge, vários sentimentos se entrelaçam em função da “separação” que acontece com a ida da criança para a instituição de Educação Infantil. Estes sentimentos evidenciam o desejo que a mãe tem de que a criança se adapte na escola ou não. Quando se menciona a questão de não querer que o filho fique na escola, não é um pensamento premeditado, e sim, um sentimento que foge ao controle dos pais.
Segundo Joana Maria Rodrigues Di Santo, Pedagoga, Psicopedagoga, Mestre em Educação, diretora do CRE e Consultora em Educação, alguns pais sentem-se culpados por colocarem os filhos muito cedo na escola. No entanto, nos dias de hoje, em que as famílias são cada vez menores, o que dificulta as relações das crianças com outras da mesma idade, o fato de muitas delas ingressarem na escola nos primeiros anos de vida pode representar um ganho, favorecendo o desenvolvimento infantil.
            Alguns cuidados são importantes para o ingresso da criança na primeira escolinha, pois é um ambiente novo, muitas pessoas estranhas, com outras regras diferentes a seguir. É necessário preparar a criança para sua entrada na escola. Levá-la para conhecer as instalações, mostrando tudo com entusiasmo, pode ser o primeiro passo.
            Quanto mais nervosos os pais parecerem, mais apavorada ficará a criança. Ela poderá entender que, se sua mãe está tão ansiosa, parecendo triste ao despedir-se dela é porque não deve ser muito bom ficar neste colégio. Daí para começar o choro é rapidinho. E, não raras as vezes, que choram as duas, a mãe e a criança.
            Por isso é tão importante os pais ficarem calmos e naturais, transmitindo, assim, essa calma e naturalidade para sua criança. A escola deve ser um lugar de prazer para seu filho e um ingresso tranquilo na vida escolar ajudará a criança a se relacionar com o novo ambiente e a enfrentar alguma dificuldade que porventura surgir.
Depende muito da habilidade e eficiência dos pais escolherem a escola adequada às expectativas da família, e, é claro, que vá agradar a pessoa mais interessada: a criança. Os pais deverão estar atentos às diversas propostas oferecidas na cidade. E são tantas! São muitas propagandas recebidas em casa ou veiculadas pelos meios de comunicação. Cada uma apregoando mais e mais maravilhas que sua criança irá vivenciar se estudar naquela escola!
Cuidar de uma criança em um contexto educativo demanda a integração de vários campos de conhecimentos e a cooperação de profissionais de diferentes áreas.
Muitos aspectos são importantes e devem ser considerados. Os pais entendem a escola infantil como um lugar somente para passar o tempo da criança, onde deixá-la por algumas horas ou acham bom que seu filho comece a conviver com outras crianças de sua idade? A proposta pedagógica é importante ou não? É preciso considerar quais os valores humanos e sociais que essa escola preconiza.
Alguns valores considerados importantes pela escola devem ser analisados pelos pais. Por exemplo: se a escola considera importante a participação dos pais e da comunidade na vida escolar.
            Essa escola respeita as diferenças individuais e culturais de cada um? Os professores trabalham em conjunto? Eles acreditam na capacidade e no desejo de aprender das crianças? A escola está empenhada na formação de seres humanos melhores e está ensinando valores compatíveis com essa formação?
            A escola entende que é necessário à criança brincar muito, visto que isso ajuda em seu desenvolvimento? Valoriza o tempo de brincadeiras, incentivando-as e ensinando a criança a brincar?
Essa escola respeita a idade da criança de 4 ou 5 anos, não a obrigando a se alfabetizar se não for de sua vontade? Isso poderá acontecer automaticamente desde que a criança participe por sua livre vontade de atividades voltadas para a alfabetização. 
            Na visita à escola deve-se observar tudo, perguntar tudo que tiver vontade, não levar dúvidas para casa, pois você entrará em pânico se houver dúvida. Perceber a forma de atendimento, observar algumas atividades, ver se há facilidade para estacionamento, ver como é a entrada e a saída de crianças, se existem porteiros ou pessoas responsáveis pela saída das crianças.
Outro ponto a ressaltar é quanto ao espaço físico. É primordial ter um espaço bom, tanto interno quanto externo, ao ar livre, de preferência, com áreas verdes.
É preciso haver muita limpeza, ordem, organização dos espaços. Os objetos escolares precisam ser do tamanho adequado às crianças. Play-grounds modernos, com brinquedos próprios para evitar que as crianças se machuquem. No caso de escadas, verificar se há o uso de material anti-derrapante. Cozinha em perfeitas condições de higiene, com funcionários preparados para este serviço.
Verificar tudo em relação à segurança da criança. Havendo tanque de areia, verificar se é coberto para não haver contaminação com fezes de animais e a troca e lavagem da areia periodicamente.
            Enfim, são muitos pontos, que podem fazer com você seja até considerado “chato” por algumas pessoas da escola, mas se isso acontecer, será um bom motivo para você perceber que essa escola não será boa para seu filho. Você deve estar sim, preocupado com o lugar onde seu filho passará grande parte do dia.
            Desse modo, as instituições de ensino infantil precisam favorecer um ambiente físico e social onde as crianças se sintam protegidas e acolhidas, e ao mesmo tempo seguras para se arriscar e vencer desafios. Quanto mais rico e desafiador for esse ambiente, mais ele lhes possibilitará a ampliação de conhecimentos acerca de si mesmos, dos outros e do meio em que vivem.
Aos pais, resta perceber se a escola, preocupada em fazer com que os alunos desenvolvam capacidades, ajusta sua maneira de ensinar e seleciona os conteúdos de modo a auxiliá-los a se adequarem às várias vivências a que são expostos em seu universo cultural; se ela considera as capacidades que os alunos já têm e as potencializa; se, se preocupa com aqueles alunos que encontram dificuldade no desenvolvimento das capacidades básicas.
Embora os indivíduos tenham a tendência, em função de sua natureza, a desenvolver capacidades de maneira heterogênea, é importante salientar que a escola tem como função potencializar o desenvolvimento de todas as capacidades, de modo a tornar o ensino mais humano, mais ético.


NATAL

                                   Por: Sonia das Graças Oliveira Silva



Estamos nos aproximando da época do Natal. A festa maior da cristandade. E, de repente, tudo fica colorido, brilhando, as cores: vermelho, dourado, prateado e verde aparecem por todo lado. Luzinhas piscando nas casas, nas lojas, tudo nos faz lembrar, a todo o momento, que é Natal. O movimento nas ruas aumenta, o entra e sai das lojas e supermercados não para. Parece que o povo fica afobado, com pressa... E, sempre, nesta época, chove mais. Todos se acostumaram a fazer as compras com chuva. Ninguém parece ligar para isso. É preciso comprar. É preciso dar presentes, é preciso vestir roupas novas nessa época, sapatos novos... Enfeite na casa é essencial, árvore de natal com muitas bolinhas coloridas.
            Lembro-me de uma linda historinha (peço perdão por não saber o autor) que nos faz pensar melhor no natal.
            Um menino morava em uma ilha isolada da civilização. Havia aprendido com seus pais que Natal significava nascimento. E que quando alguém nasce é preciso ajudar, é preciso comemorar. Ao acordar ele dizia:
            _É natal! O sol nasceu! É natal do sol.
À noite, falava: – É natal das estrelas, olhe, elas nasceram!
            Quando nascia um bezerro, ele dizia:
            _É natal! O bezerrinho nasceu! É natal do bezerrinho.
            Um dia, foi conhecer a cidade. Era época do natal. Ao entrar na cidade, achou-a linda, cheia de luzes e brilhos. As pessoas passavam para lá e para cá, carregando sacolas e pacotes. Na porta de uma grande loja ele ouve uma criança dizer:
            _Mamãe compra esse brinquedo, é natal! O menino pensou:
            _Quem nasceu? É natal de quem?
Mais adiante ouviu uma mulher falando ao marido:
            _Vamos comprar essas frutas, as carnes, as bebidas... É natal, precisamos comprar tudo isso!
            Novamente, o menino pensou: – Quem será que nasceu aqui? Natal de quem?
            Passando por uma outra loja observou pessoas comprando enfeites, fitas coloridas, bolas brilhantes. A vendedora conduzia a conversa dizendo:
            _Vai ficar tudo lindo com esses enfeites, precisamos enfeitar tudo, é natal!
            O menino, encabulado imaginava, é natal de quem? Quem nasceu aqui?
De repente, o menino encontra um casal muito simples que queria um lugar para ficar e algo para comer, eles carregavam uma criança nos braços. O povo passava e nem percebia a presença deles. O menino percebeu a aflição daqueles pais e tentou ajudá-los chamando a atenção das pessoas.
_Ei, uma criança nasceu! É natal! É natal deste bebê! Devemos ajudar.
Mas, ninguém nem olhava, apenas três pobres indivíduos recostados na calçada não importava a ninguém. Eles precisavam terminar as compras de natal. Precisavam comemorar... Comemorar o quê mesmo? O que é que comemoramos no natal mesmo? Já nem me lembro mais. Mas, tudo bem, deixa para lá, vamos comprar presentes, temos que fazer o “amigo oculto”, temos que participar de várias festas de natal, confraternizações, comemorações, jantares...
E continuavam a comprar.
Foi quando o bebê chorou, chorou alto e alguém ouviu. Um homem virou-se e seu coração encheu-se de emoção e piedade ao ver aquela família tentando agasalhar seu filho. O menino aproveitou a atenção do homem e gritou:
_É natal desta criança! Vejam que lindo bebê!  
Outras pessoas aproximaram-se e carregaram a família para a casa de um deles e logo começou a chegar roupinhas, mamadeiras, leite e alimentos para os pais, tudo trazido pelas pessoas que rodearam aquela família. Parecia que aquela pequena cidade havia mudado. Alguma coisa aconteceu com eles.   O espírito do natal entrou dentro dos corações e a luz de Deus os iluminou carregada de amor.
Então, com certeza, Deus sentiu um grande alívio ao ver que ainda sabemos amar, que ainda sabemos o que é o natal.




terça-feira, 18 de setembro de 2012

Curso Grátis: A Difícil, mas maravilhosa tarefa de educar os filhos

Curso: A DIFÍCIL, MAS MARAVILHOSA TAREFA DE EDUCAR OS FILHOS
no link: a difícil, mas maravilhosa tarefa de educar os filhos

http://www.profissionalizando.net.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1301&Itemid=60

quarta-feira, 4 de julho de 2012

SAUDADES


Saudades  
Ipês de Guaxupé

SAUDADES
(Clarice Lispector)

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...


SARAU DO BOM PASTOR

SARAU REALIZADO NA IGREJA BOM PASTOR - BAIRRO BOM PASTOR - JUIZ DE FORA
TEMA DO SARAU
Organização do Sarau: Tea Beraldo e Sonia G. Oliveira Silva
Apostila para o Sarau: Sonia G. Oliveira Silva
(A aquarela acima e a arte do cartaz foram feitas pela artista plástica Rose Valverde)

Na grande paleta do artista está o mapa do Brasil colorido de verde. Minas Gerais ocupa um espaço neste mapa em amarelo que representa o ouro de suas minas. Desbravada pelos bandeirantes as minas de ouro e diamantes vão surgindo diante dos olhos fascinados destes homens.
Um mulato da bandeira de Arzão encontra no rio Tripuí pedrinhas pretas. Taubaté anunciou que era ouro. É aqui... é aqui... puríssimo!
O ouro fala, o ouro canta, o ouro é preto, é branco, é pardo, é podre.
De cada ribeirão trepidante, de cada recanto, de cada montanha o metal rolou na cascalhada.
Senhora do Rosário, se eu achar ouro (bastante) vos dou uma igreja, O ouro brota no chão. Tanta missa! Tanta igreja! Das mãos do aleijadinho na pedra sabão, tanto ideal; mais adiante ele já não tem mão, mas um formão atado ao pulso, mas a beleza da obra é a mesma.  



Romanceiro da Inconfidência – DAS IDEIAS
 (Cecília Meirelles)


A vastidão desses campos.
A alta muralha das serras.
As lavras inchadas de ouro.
Os diamantes entre as pedras.
Negros, índios e mulatos e gamelas.
Os rios todos virados.
Toda revirada, a terra.
Capitães, governadores,
padres, intendentes, poetas.
Carros, liteiras douradas,
  
cavalos de crina aberta.
A água a transbordar das fontes.
Altares cheios de velas.
Cavalhadas. Luminárias.
Sinos. Procissões. Promessas.
Anjos e santos nascendo
em mãos de gangrena e lepra.
Finas músicas brotando
as alfaias das capelas.
Todos os sonhos barrocos
deslizando pelas pedras.

Ser Mineiro    

(Carlos Drummond de Andrade) 


Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos.



Um bom Mineiro não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranho,
só acredita na fumaça quando vê o fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão por dois voando.


Ser Mineiro é dizer "uai", é ser diferente,
é ter marca registrada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.



Ser Mineiro é ver o nascer do Sol
e o brilhar da Lua,
é ouvir o canto dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.


Ser Mineiro é ser religioso e conservador,
é cultivar as letras e artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política e amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter vida interior,
é ser gente.



CASA ARRUMADA
(Carlos Drummond de Andrade)

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.